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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Oito pensamentos de Krishnamurti





Os medos ocultos
Não há somente os medos conscientes, dos quais todos estão cônscios, mas também aqueles que estão bem fundo, nos recessos ocultos da mente. Como lidar com medos conscientes e ainda com aqueles que são ocultos? Certamente, o medo está na fuga a “o que é”; é a fuga, o escape, o evitar da realidade que redunda em medo. Também, quando há qualquer tipo de comparação, há criação de medo – a comparação daquilo que você é com aquilo que você pensa que deveria ser. Por conseguinte, o medo está na fuga ao que é real, e não no objeto do qual você foge. Nenhum desses problemas do medo pode ser resolvido por meio da vontade, dizendo a si mesmo: “Não ficarei com medo”.
- Krishnamurti, Beyond Violence, p 64


Medo do passado e do futuro
Neste momento, enquanto estou sentado aqui, não estou temeroso. Não tenho medo no presente, nada está me acontecendo, ninguém está me ameaçando ou tirando coisa alguma de mim. Mas, para além do momento atual, há uma camada mais profunda na mente que, consciente ou inconscientemente, está pensando no que poderá acontecer no futuro, ou está preocupada com que algo do passado possa alcançar-me. Portanto, estou com medo do passado e do futuro. Dividi o tempo em passado e futuro. O pensamento chega e diz: “Cuide para que isso não ocorra de novo”, ou “Prepare-se para o futuro. O futuro pode ser perigoso para você. Você conseguiu alguma coisa agora, mas pode perdê-la. Você pode morrer amanhã, sua esposa pode fugir, você pode perder o emprego. Talvez você nunca fique famoso. Poderá ficar solitário. Você precisa ter certeza do amanhã.”
- Krishnamurti, Freedom from the Known, p 42


O pensamento produz o medo
Como é que surgem esses medos psicológicos? Qual é a sua origem? Essa é a questão. Há o medo de algo que aconteceu ontem; o medo de algo que pode acontecer mais tarde, hoje ou amanhã. Há o medo daquilo que conhecemos, e há o medo do desconhecido, que é o amanhã. Pode-se perceber por si mesmo, muito claramente, que o medo surge por meio da estrutura do pensamento – pensando sobre o que aconteceu ontem (coisa de que se tem medo), ou pensando sobre o futuro. Certo? O pensamento produz o medo, não é verdade? Por favor, certifiquemo-nos disso. Não aceitem o que diz o palestrante; fiquem absolutamente certos, por si mesmos, sobre se o pensamento é a origem do medo.
- Krishnamurti, The Flight of the Eagle, p 12


O tempo e o pensamento criam o medo
O tempo e o pensamento criam o medo – tempo como ontem, hoje e amanhã. Há o medo de que amanhã algo aconteça – a perda de um emprego, a morte, que minha mulher ou meu marido fuja, que a doença e a dor que tive há muitos dias voltem de novo. É aí que o tempo entra. O tempo, incluindo o que o meu vizinho possa dizer sobre mim amanhã, ou o tempo que até agora tem ocultado algo que eu fiz há muitos anos. Tenho medo de que alguns desejos secretos, profundos, não sejam satisfeitos. Portanto, o tempo está presente no medo, medo da morte que vem no fim da vida, que pode estar esperando na esquina e estou com medo. Assim, o tempo envolve medo e pensamento. Não existe tempo se não existir pensamento. Pensar sobre o que aconteceu ontem, ter medo de que isso possa acontecer de novo amanhã – é isso que faz surgir o tempo e também o medo.
- Krishnamurti, The Flight of the Eagle, pp 69-70


Dar atenção ao medo
Pergunta: Você observa o medo e percebe-se fugindo dele. O que é que você deve fazer? Krishnamurti: Primeiro, não resista à fuga. Para observar o medo, você precisa prestar atenção; e na atenção você não condena, não julga, não avalia, mas só observa. Quando você foge é porque sua atenção se desviou, você não está presente – há falta de atenção. Fique desatento, mas esteja consciente de estar desatento – essa percepção da sua desatenção é atenção. Se você estiver cônscio da sua desatenção, fique cônscio disso, não faça coisa alguma sobre isso, exceto ficar cônscio de que você está desatento; então essa própria percepção é atenção. É muito simples. Uma vez percebendo isso, terá eliminado todo o conflito; você estará cônscio sem escolha. Quando você diz: “Tenho estado atento, mas agora já não estou atento e preciso ficar atento”, há escolha. Ficar cônscio significa ficar cônscio sem escolha.
- Krishnamurti, Beyond Violence, p 71


A rede de meios de fuga
Temos uma grande diversidade de medos, e procuramos resolver tais medos de modo fragmentário. Parece que não somos capazes de ir além disso. Se pensamos ter compreendido determinado medo e tê-lo resolvido, outro medo aparece. Quando conscientes do medo, tentamos fugir dele, tentamos encontrar uma resposta, tentamos descobrir o que fazer, ou tentamos suprimi-lo. Como seres humanos, desenvolvemos, com perspicácia, uma rede de meios de fuga: Deus, diversões, bebidas, sexo, qualquer coisa. Todas as fugas dão no mesmo, quer feitas em nome de Deus ou da bebida!
- Krishnamurti, The Collected Works, vol XVI, p 174
 

Assustados… como o resto do mundo
Se um único ser humano compreender radicalmente o problema do medo e o resolver, não amanhã ou em algum outro dia, mas instantaneamente, ele afetará a consciência total da humanidade. Isso é um fato. Como tenho dito, sua consciência não é propriedade privada sua; ela resulta do tempo, de milhares de incidentes, de experiências, que são montadas pelo pensamento. Essa consciência está em movimento constante. É como uma corrente de água, um vasto rio do qual você faz parte. Portanto, não há particularização; e, se você examinar isso profundamente, não há individualidade. Você pode não gostar disso, mas examine-o. Indivíduo significa uma entidade não dividida, indivisível, que não está fragmentada, que não está partida, mas sim inteira. Entretanto, muitos de nós, infelizmente, estamos fragmentados, quebrados, divididos, como o resto do mundo – infelizes, preocupados, confusos, sofrendo, com dores, assustados.
- Krishnamurti, Total Freedom, p 302


Insegurança e medo
Há medo da insegurança, de não ter emprego, ou de ter emprego (fica-se com medo de perdê-lo), medo dos vários tipos de greve que estão acontecendo, etc. Então, a maioria está bastante nervosa, com medo de não estar completamente segura fisicamente. Isso é óbvio, mas por quê? Será porque estamos sempre nos isolando como nação, como família, como grupo? Será que esse lento processo de isolamento – os franceses se isolando, também os alemães, etc. – está trazendo insegurança para todos nós? Podemos observar isso, não só exteriormente? Observando o que acontece externamente, sabendo exatamente o que está acontecendo, a partir daí podemos começar a investigar dentro de nós mesmos. De outro modo, não temos critérios; de outro modo, enganamo-nos a nós mesmos. Portanto, precisamos começar pelo exterior e trabalhar na direção do interior. É como uma maré, que está indo para fora e vindo para dentro. Não é uma maré fixa: ela se move para fora e para dentro o tempo todo.
- Krishnamurti, On Fear, p 61




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