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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Zé Ramalho: "Vi uma nave em cima de mim"

“Hoje é difícil, tudo virou selvageria na música” 

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O músico Zé Ramalho comenta seu disco com versões de Bob Dylan e diz o que pensa da crítica


Zé Ramalho é fã de Bob Dylan e Raul Seixas mas não é tiete, tanto que preferiu não conhecer o músico quando ele fez show no Brasil. No finalzinho de 2008, ele lançou Zé Ramalho canta Bob Dylan (EMI) com versões em português das canções do americano. Antes mesmo de chegar às lojas o novo trabalho já vinha sendo fortemente criticado pela imprensa porque Zé teria feito traduções literais das músicas. Ramalho recebeu a reportagem no Rio de Janeiro, no escritório de sua produtora, a Jerimum Produções, e não censurou perguntas. Falou desde sua experiência com cogumelos alucinógenos até o suposto contato com uma entidade extraterrestre.


AE = Agência Estado

AGÊNCIA ESTADO — Por que versões brasileiras das músicas do Bob Dylan?
ZÉ RAMALHO Fazer em inglês é uma coisa que o mundo todo faz. Saiu no ano passado, por exemplo, o disco Dylanesque, de Bryan Ferry. A minha intenção com letras em português é um pouco romântica. É um trabalho difícil. Muitas vezes você traduz a letra de uma canção em inglês sendo que a sonoridade em português é diferente.

AE — Como conseguiu autorização ?
RAMALHO — Não o conheço pessoalmente, apesar de ter ido ao show dele. Nunca quis ser tiete. Continuo sendo seu fã, ele é uma pessoa que me inspirou muito. Preparei um pacote com a tradução de todas as músicas e Aluízio Reis, presidente da Sony Songs, foi mostrar para a assessoria de Dylan. Da parte dele não houve qualquer constrangimento em achar que eu estava deturpando suas canções ou fazendo caricaturas. Ele autorizou todas sem observações e ainda pediu que mandasse o disco para ele.


AE — Como foi fazer este projeto?
RAMALHO Estava amadurecendo há anos. É um projeto pessoal, não se trata de homenagem, tributo. Fiz o projeto de forma clara, transparente e sem qualquer vergonha.


AE — Preocupado com a reação dos fãs dele?
RAMALHO Pode ser que exista alguma reação, ou não. Eles podem gostar quando perceberem que o trabalho foi formatado para uma língua tão difícil quanto o português.


AE — Como encara os críticos?
RAMALHO — Nunca tive um disco em toda a carreira que não fosse em algum momento malhado por algum setor da crítica. Sabe aquele ditado: "os cães ladram, mas a caravana passa?" Todo ano lanço um disco de carreira e vou passando com minha caravana. A cachorrada sempre late e sei que se jogar algumas migalhas de minha atenção eles vão parar, mas não faço isso. Deixo eles latindo com fome, com raiva. Sempre foi assim e sempre será.


AE — Ficou com receio deste trabalho ficar aquém dos autorais?
RAMALHO — A sonoridade que conseguimos com este disco foi espetacular. A pessoa para avaliar um disco como esse tem de conhecer muito dos dois trabalhos e principalmente de música brasileira. É fácil ouvir um trecho e escrever algo para justificar o seu trabalho. O editor que manda você cobrir música também o manda escrever sobre o lançamento de peças íntimas femininas. Você não escolhe o que quer fazer.


AE — Você já disse que fumava maconha para compor. Mantém esse hábito?
RAMALHO Hoje em dia, não. Foram coisas superadas. Não que a maconha seja danosa. A maturidade traz isso para você. Todas as experiências que tive com a maconha, cocaína e cogumelo foram coisas do período de garoto. A maconha eu estendi por alguns anos porque abria a cabeça e me dava inspiração. Hoje sou uma pessoa sóbria.


AE — Como você lidou com o tema com seus filhos?
RAMALHO — Sempre fui muito discreto com as drogas, nunca fui pego em lugar público. Depois que eles cresceram conversei com cada um.


AE —Você se acha o seguidor de Raul Seixas?
RAMALHO Tudo o que as pessoas sentem é verdadeiro, eu não posso rejeitar uma atitude e uma avaliação dessas. Me deixo levar. O Raul era um gênio, trazia para a música filosofia do povão.


AE — É padrinho de um museu de ufologia no Rio Grande do Sul. Como é sua experiência com ETs?
RAMALHO — A questão dos discos voadores é longa, mas acredito nessas coisas. Não digo que é religião, mas é minha referência da criação do mundo, sobre quem somos e de onde viemos. Não só acredito como tenho certeza. Faço disso, no entanto, uma coisa muito discreta. Quando você conversa sobre disco voadores as pessoas riem de você, chamam de maluco.


AE — Já teve algum contato?
RAMALHO — Quando eu estava fazendo a música "Avohai" tive uma aproximação grande do que se pode chamar de contato. Não foi nada de alguma criatura. Eu estava fazendo uma experiência com cogumelos alucinógenos. Quando você está com substância na cabeça, sente e pode ver coisas além. Vi uma nave em cima de mim. Foi durante essa experiência que tive a mensagem da música. Eu a considero a melhor música da minha vida. Acredito que somos uma experiência de civilizações superiores às nossas.


AE — Acredita em Deus?
RAMALHO Deus é um conceito. Aceito que as pessoas tenham isso como algo sério, mas Deus é uma criação do homem, mais do que o homem é criação de Deus.


AE — Hoje é mais difícil trabalhar com música do que há 10 anos?
RAMALHO — É mais difícil porque tudo virou uma selvageria. O romantismo foi banido das rádios e estações de TV. Quando um artista está lançando um show toda a mídia vai atrás das celebridades que estão na platéia. O artista lá na frente é só pretexto. Quanto aos críticos de música, não reverencio esses caras. Alguns ficam zangados por eu não falar com eles. Vai chegar o dia em que não vou fazer mais nem isso aqui, o olho no olho. Vou fazer tudo por e-mail. Já deveria ter tomado essa decisão. Depois de muitas entrevistas você começa a atropelar as suas respostas. O e-mail me dá a chance e, solitariamente, responder com calma.










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Um comentário:

  1. Que legal hein brother! Depois quero ver os vídeo hehe

    Abrç

    End Fernandes

    ...

    ResponderExcluir

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