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domingo, 2 de janeiro de 2011

Votorantim é rica em lendas urbanas

Algumas vezes ficamos sabendo de histórias um pouco estranhas e sem dono. Geralmente, quando isso acontece, há sempre um "ouvi dizer" no meio. Esses causos, que ninguém sabe de onde surgiram, e que são repetidos ano após ano, podem até ter um fundo de verdade, mas não passam de lendas. Detalhe importante é que elas estão, especificamente, ligadas a um lugar geográfico. É o caso da loira do banheiro, do homem do saco que pega as crianças na rua, entre tantas outras. Algumas dessas histórias são conhecidas nacionalmente, outras apenas em uma determinada região. Outro dia, a equipe do Mais Cruzeiro ficou sabendo de certos acontecimentos misteriosos em Votorantim e, movida pela curiosidade, resolveu sair para a rua, fazer um "jornalismo investigativo" das lendas. Percorremos - esta repórter e o fotógrafo Aldo Valério - diversas ruas, num trabalho praticamente de porta em porta pelos bairros. E como quem procura acha, ficamos sabendo não apenas das famosas histórias como também desvendamos de onde surgiram. Bem, pelo menos acreditamos que o mistério esteja mesmo solucionado. O fato é que no passado muita gente que "se pelou" de medo, agora ri das tais histórias. Como jornalista não gosta de fazer segredo, hoje a reportagem do Mais Cruzeiro torna públicas as lendas urbanas de Votorantim. Confira:

A Paineira da Chave

Reza a crença que toda sexta-feira aqueles que ousavam passar pela paineira assombrada do bairro da Chave eram apedrejados. Parece que as almas do outro mundo não queriam que as pessoas se aproximassem de um provável tesouro escondido entre as raízes da árvore. Muita gente acreditou nesse tal tesouro, por isso a paineira foi insistentemente cavocada pela população. Alguns inclusive dizem que um casal de dois irmãos portugueses é que tirou todo o ouro que havia ali.

O historiador Paulo Fontes, que conhece bem Votorantim, conta que esta é a maior lenda da cidade. "Essa história durou muitos anos. Naquela época não havia a barragem de Itupararanga e o nome do rio ainda era Rio Grande e não rio Sorocaba. O fato é que havia um casarão ali, onde foram abrigadas 30 famílias de imigrantes italianos. Essas pessoas trouxeram entre seus pertences pulseiras e correntes de ouro. Como dizem que os italianos são cismados, eles simplesmente colocaram suas joias num baú e enterraram a 50 metros do casarão. Para proteger, plantaram em cima a paineira. Tempos depois, em 1930, é que começou a lenda. Infelizmente a árvore foi destruída entre as décadas de 70 e 80, mas até hoje ainda falam da Paineira da Chave", conta o historiador, que não acredita nem mesmo que os italianos tenham enterrado suas joias.

Freis voadores

Teve um período em que era comum serem vistos, no local onde hoje é a Praça de Eventos de Votorantim, os tais dos freis voadores. É que naquela região viviam alguns religiosos e a população tinha certeza que eles já estavam mortos e ficavam vagando pela propriedade.

Esse mistério é desvendado por Paulo Fontes: "Houve um tempo em que os monges beneditinos tinham um terreno em Votorantim. Ali viviam quatro freis, que cuidavam da plantação de uva. Os monges fabricavam vinho e ainda cuidavam do gado. Como era comum o roubo de bezerros, um dos freis colocou arame no entorno da propriedade para proteger. Depois, fez espantalhos e os vestiu com batinas. De tempos em tempos, com a ajuda de varais e um gancho, ele soltava o suposto fantasma voador à noite, por isso é que surgiu a lenda", esclarece.

As cruzes da represa

Quando a represa de Itupararanga está com o nível abaixo do normal, é possível avistar cruzes. É que ali embaixo tem um cemitério. A população da cidade pensa que no local estão enterrados índios, quando na verdade muita gente foi enterrada lá devido a um surto de febre violento que aconteceu por volta do ano 1900. "As cidades não venciam realizar sepultamentos e os corpos não podiam ser enterrados no perímetro urbano. Em Votorantim a doença não chegou. Um órgão que cuidava da saúde em São Paulo descobriu que nas regiões onde se alimentava de fruta cítrica e verdura, a febre não pegava. E então o cemitério foi feito por conta dessas mortes, mas hoje está debaixo da água", diz Paulo Fontes.

Extraterrestres

Essa, nem o "jornalismo investigativo" do Cruzeiro explica. Por volta dos anos 1979 e 1980, período em que surgiram as histórias do Morro da Mariquinha, em Sorocaba, também houve um relato de avistamento de nave extraterrestre em Votorantim, na Vila Irineu. Quem é mais antigo da cidade já ouviu dizer que uma vez desceu um disco voador em uma plantação existente no final do bairro. Ficou um círculo marcado no local onde a nave pousou, o que deixou o proprietário, já falecido, com medo. Quem lembra da história é Luvizini Alberto Filho, vizinho da casa onde o suposto disco aterrisou. Ali perto de onde mora, ninguém esquece do que aconteceu. Aliás, dizem que a estrada de terra que leva à casa de Luvizini foi aberta pelos tropeiros, que inauguraram naquela rota uma singela capelinha, conhecida como Capela dos Tropeiros.

O homem de olho furado

O contador de histórias José Bocca lembra que quando criança ouvia muito falar do homem com olho furado, que na verdade era um lobisomem. "No bairro Santa Helena, onde tem a fábrica de cimento, antigamente tinha uma vila e quando eu era pequeno ouvia muito falar de um homem que tinha um olho furado. Diziam que ele era um lobisomem e que havia furado o olho uma vez. Mas na verdade o olho desse homem foi furado por uma pedra da pedreira", recorda.

Nhá Cristina

Nhá Cristina era uma velhinha bem arcada que ameaçava pegar as crianças. Na época eu morava no bairro Santa Helena e a gente se pelava de medo dela", lembra José Bocca. Conforme ele, as imaginações a respeito de Nhá Cristina, que realmente existiu, tratam-se apenas de uma feminilização do homem do saco, personagem muito temido pelas crianças. Os pais em geral sempre recomendam cuidado ao ver um homem com saco na rua porque dizem que ele coloca as crianças nesse saco e leva embora.

A rede dos mortos

Antigamente as pessoas eram enterradas em rede. O cemitério não tinha o sistema que tem hoje, então as pessoas faziam a sepultura no chão e enterravam", conta a secretária de Educação de Votorantim, Elizete Scarpanti. Quando ela era criança, ouvia dizer que toda sexta-feira à noite subia uma rede rumo ao cemitério e ela era acompanhada por pessoas que já morreram. "A gente tinha medo dessa situação, de chegar a ver a rede. Mas essas lendas eram contadas por nossos avós para impor um limite, pois antes era costume brincar na rua à noite, até tarde. Então a partir das 22h já tinha essa possibilidade de ver a rede. As crianças do bairro onde eu morava, a Barra Funda, morriam de medo", diz.

Padre sem cabeça

Aproximadamente em 1928 tinha uma olaria que ficava no meio do caminho entre os bairros Barra Funda e Fornazari, e o guarda da olaria não queria mais trabalhar à noite no local porque via aparecer, de vez em quando, um padre sem cabeça. Algumas pessoas foram para lá e de fato viram esse padre. Só que quando a noite estava muito escura, ele portava uma vela. Um dia, alguns corajosos resolveram esclarecer o enigma, conta o advogado Edimir Messias de Moraes. "Para elucidar o mistério, eles ficaram de tocaia na olaria e, de repente, surgiu o padre sem cabeça. Resolveram ir atrás. Foi aí que descobriram se tratar de uma mulher casada, que aproveitava o fato do marido fazer terceiro turno em uma fábrica para se encontrar com seu amante. Ela vestia um véu preto e erguia para ninguém ver o rosto dela, então parecia que estava sem cabeça. Nas noites escuras, para poder enxergar o chão e caminhar com segurança, ela usava uma vela", lembra Edimir. Quem contava muito essa história para ele era seu tio. "Essa era uma lenda bem antiga", diz.

O boitatá da Barra Funda

Outra lenda conhecida pela população de Votorantim é a do boitatá do bairro Barra Funda. Personagem do folclore brasileiro, o boitatá é uma gigantesca cobra-de-fogo. Os moradores da região sempre viam os brilhos do boitatá nas noites quentes. Também diziam que era duas comadres que tinham sido enterradas juntas e que brigavam tanto que soltava fogo. O que acontece é que no morro, o fogo-fátuo era comum. Fogo-fátuo é um fenômeno da natureza, uma inflamação espontânea do gás dos pântanos (metano), resultante da decomposição de seres vivos como plantas e animais típicos do ambiente.


MAIS CRUZEIRO - [ 02/01 ]
Votorantim é rica em lendas urbanas
Notícia publicada na edição de 02/01/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 2 do caderno B - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

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