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quarta-feira, 23 de junho de 2010

GLÂNDULA PINEAL: A UNIÃO DO CORPO E DA ALMA


Entrevista de Paula Calloni de Souza com o Dr. Sérgio Felipe de Oliveira


O mistério não é recente. Há mais de dois mil anos, a glândula pineal, ou epífise, é tida como a sede da alma. Para os praticantes do yoga, a pineal é o ajna chakra, ou o "terceiro olho", que leva ao autoconhecimento. O filósofo e matemático francês René Descartes, em Carta a Mersenne, de 1640, afirma que "existiria no cérebro uma glândula que seria o local onde a alma se fixaria mais intensamente".

Atualmente, as pesquisas científicas parecem ter se voltado definitivamente para o estudo mais atento desta glândula. Estaria a humanidade próxima da comprovação científica de uma integração entre o corpo e o que se chamaria de alma? Haveria um órgão responsável pela interação entre o homem e o mundo espiritual? Seria a mediunidade, de fato, um atributo biológico e não um conceito religioso, como postulou Allan Kardec?

Para responder a estas e outras perguntas, Paula Calloni de Souza, da revista Espiritismo & Ciência, conversou com o psiquiatra e mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo, Dr. Sérgio Felipe de Oliveira. Diretor-clínico do Instituto Pineal Mind e diretor-presidente da AMESP (Associação Médico-Espírita de São Paulo), Sérgio Felipe de Oliveira é um dos maiores pesquisadores na área de Psicobiofísica da USP, e vem ganhando destaque nos meios de comunicação com suas pesquisas acerca do papel da glândula pineal em fenômenos como a mediunidade.

Fale um pouco sobre seu trabalho à frente da AMESP e do Instituto Pineal Mind.
A AMESP é uma associação de utilidade pública que reúne médicos dedicados ao estudo da relação entre a medicina e a espiritualidade. O Pineal Mind é um instituto de saúde mental, onde fazemos pesquisas e atendemos casos de psicoses, síndromes cerebrovasculares, ansiedades, depressão, psicoses infantis, uso de drogas e álcool. Temos um setor de psico-oncologia (psicologia aplicada ao câncer) e estudamos também os aspectos psicossomáticos ligados à cardiologia, etc. Agora, estamos também voltados para as pesquisas comportamentais, estudando estados de transe e a mediunidade.
Mas não pesquisamos só a glândula pineal, pesquisamos o cérebro, interessados em entender a relação entre corpo e espírito.

O que é psicobiofísica?
É a ciência que integra a psicologia, a física e a biologia. Por exemplo, em biologia, estudamos o lobo frontal, responsável pela crítica da razão. Mas como o cérebro funciona eletricamente entramos com o ponto de vista da Física, que também serve de substrato para os aspectos psicológicos. Quando surgiu seu interesse no aprofundamento do estudo da pineal?
Foi por volta de 1979/80, quando eu estava estudando a obra de André Luiz, psicografada por Chico Xavier.
Em Missionários da Luz, a pineal é claramente citada. Nesta mesma época, eu já me interessava pela Medicina. E estudando Filosofia, fiquei impressionado com a obra de Descartes, para quem a alma se ligava ao corpo pela pineal. Quando entrei na faculdade, corri atrás destas questões, do espiritual, da alma e de como isso se integra ao corpo. O que é a glândula pineal, onde está localizada e qual a sua função no organismo?
A pineal está localizada no meio do cérebro, na altura dos olhos. Ela é um órgão cronobiológico, um relógio interno. Como ela faz isso? Captando as radiações do Sol e da Lua. A pineal obedece aos chamados Zeitbergers, os elementos externos que regem as noções de tempo. Por exemplo, o Sol é um Zeitberger que influencia a pineal, regendo o ciclo de sono e de vigília, quando esta glândula secreta o hormônio melatonina.
Isso dá ao organismo a referência de horário. Existe também o Zeitberger interno, que são os genes, trazendo o perfil de ritmo regular de cada pessoa. Mas, o tempo se relaciona ao espaço. A dimensão espaço-tempo é a quarta dimensão. Então, a glândula que nos dá a noção de tempo está em contato com a quarta dimensão.
Faz sentido perguntarmos: "Será que a partir da quarta dimensão já existe vida espiritual?"
Nós vivemos em três dimensões e nos relacionamos com a quarta, através do tempo.
A pineal é a única estrutura do corpo que transpõe essa dimensão, que é capaz de captar informações que estão além da terceira dimensão.
A afirmação de Descartes, sobre a ligação da alma ao corpo, tem uma lógica baseada na física.
Esta glândula lida com as outras dimensões. Este é um fato que a ciência atual busca comprovar.

Outros animais possuem a epífise? Ela está relacionada à consciência?
Todos os animais têm essa glândula; ela os orienta nos processos migratórios, por exemplo, pois ela sintoniza o campo magnético. Nos animais, a glândula pineal tem fotoreceptores iguais aos presentes na retina dos olhos, porque a origem biológica da pineal é a mesma dos olhos, é um terceiro olho, literalmente.

Esta glândula seria resquício de algum órgão que está se atrofiando, ou estaria ligada a uma capacidade psíquica a ser desenvolvida?
Eu acredito que a pineal evoluiu de um órgão fotoreceptor para um órgão neuroendócrino.
A pineal não explica integralmente o fenômeno mediúnico, como simplesmente os olhos não explicam a visão. Você pode ter os olhos perfeitos, mas não ter a área cerebral que interprete aquela imagem. É como um computador: você pode ter todos os programas em ordem, mas se a tela não funciona você não vê nada. A pineal, no que diz respeito à mediunidade, capta o campo eletromagnético impregnado de informações, como se fosse um telefone celular. Mas tudo isso tem que ser interpretado em áreas cerebrais, como por exemplo, o córtex frontal. Um papagaio tem a pineal, mas não vai receber um espírito, porque ele não tem uma área no cérebro que lhe permita fazer um juízo.
A mediunidade está ligada a uma questão de senso-percepção. Então, não lhe basta a existência da glândula pineal. Ela depende de uma área que vai até o córtex frontal, que é onde o cérebro forma os juízos críticos daquilo que absorve. A mediunidade é uma função de captar, ou senso-percepção - fazer um juízo sobre o que está acontecendo. Então, a mediunidade é uma função humana.

A pineal converte ondas eletromagnéticas em estímulos neuroquímicos? Isso é comprovado cientificamente?
Sim, isso foi comprovado pelos os cientistas Vollrath e Semm, e o tema pode podendo ser consultado em artigos publicados na revista científica Nature, de 1988.

A parapsicologia diz que campos eletromagnéticos podem afetar a mente humana. O Dr. Michael Persinger, da Laurentian University, no Canadá, fez experiências com um capacete que emite ondas eletromagnéticas nos lobos temporais. As pessoas submetidas a essas experiências teriam tido "visões" e sentiram presenças espirituais. O Dr. Persinger atribui esses fenômenos à influência dessas ondas eletromagnéticas. O que o senhor teria a dizer sobre isso?
O espiritual age através do campo eletromagnético. Então, dizer que este campo interfere no cérebro não contraria a hipótese de uma influência espiritual. Porque, se há uma interferência espiritual, esta se dá justamente pelo campo eletromagnético, acontece na natureza pelas leis da própria natureza. Se o campo magnético interfere no cérebro, a espiritualidade interfere no cérebro pelo campo magnético. Uma coisa não anula a outra. Ao contrário, complementam-se.

A mediunidade seria atributo biológico e não um conceito religioso? Existe uma controvérsia no meio científico a esse respeito?
A mediunidade é um atributo biológico, acredito, que acontece pelo funcionamento da pineal, que capta o campo eletromagnético, através do qual a espiritualidade interfere.
Não só no espiritismo, mas em qualquer expressão de religiosidade, a mediunidade é ativada para uma ligação com o mundo espiritual. Os hindus, católicos, judeus ou protestantes fazendo uma prece estão ativando sua capacidade de entrar em sintonia com o plano espiritual.
Isso é o que se chama mediunidade: intermediação. Então, não se trata de uma bandeira religiosa, mas de uma função natural utilizada em todas as religiões. E isso sem dúvida acontece através do campo magnético. Se a espiritualidade interfere, é pelo campo eletromagnético, que depois é convertido, pela pineal, em estímulos eletroneuroquímicos.
Muitos cientistas já não negam a vida após a morte, a mediunidade ou a existência do espírito. Não há ainda uma prova final. Porém, não existe oposição entre o espiritual e o científico. Já é possível abordar o espiritual por metodologia científica. O espiritismo sempre vai optar pela ciência. Essa é uma condição precípua do pensamento espírita. Os cientistas materialistas que disserem "esta é minha opinião pessoal", estarão sendo coerentes. Mas se disserem que a opção materialista é a opinião da ciência, estarão subvertendo aquilo que é a ciência.
A American Medical Association, do Ministério da Saúde dos EUA, possui vários trabalhos publicados sobre mediunidade e a glândula pineal. O Hospital das Clínicas sempre teve tradição de pesquisas na área da espiritualidade e espiritismo. Isso não é muito divulgado pela imprensa, mas existe um grupo de psiquiatras defendendo teses sobre o tema.

Como são feitas as experiências em laboratório?
Existem dois tipos. Uma delas é a experiência de pesquisa das estruturas do cérebro, responsáveis pela integração espírito/corpo; a outra, é a pesquisa clínica, das pessoas em transe mediúnico. São testes de hormônios, eletroencefalogramas, tomografias, ressonância magnética, mapeamento cerebral, entre outros. A coleta de hormônios, por exemplo, pode ser feita enquanto o paciente está em estado de transe. E os resultados apresentam alterações significativas.

E as alterações detectadas em exames de tomografia? O senhor descarta a hipótese de uma crise convulsiva?
Isso é bem claro: a suspeita de uma interferência espiritual surge quando a alteração nos exames não justifica a dimensão ou a proporção dos sintomas. Por exemplo: o indivíduo tem uma crise convulsiva fortíssima, é feito o eletroencefalograma e aparece uma lesão pequena. Não há, então, uma coerência entre o que está acontecendo e o que o exame está mostrando. A reação não é proporcional à causa. A mediunidade mexe com o sistema nervoso autônomo - descarga de adrenalina, aceleração do ritmo cardíaco, aumento da pressão arterial.

Como o senhor diferencia doença mental de mediunidade?
Na doença mental, o paciente não tem a crítica da razão; no transe mediúnico, ele tem essa crítica. Quando o médium diz que incorporou tal entidade espiritual, mas que ele, médium, continua sendo determinada pessoa, ele usou a crítica, julgou racionalmente o que aconteceu. Já um indivíduo que diz ser Napoleão Bonaparte perdeu a crítica da razão. Essa é a diferença. O que não quer dizer que o indivíduo em estado aparentemente psicótico não possa estar em transe. A mediunidade se instala no indivíduo são. Mas pode dar uma dimensão maior a uma doença. A mediunidade sempre tem um efeito ampliador. Numa pessoa de bons sentimentos e intenções, ela cresce. Se a pessoa tem uma patologia, esta pode ficar fora de controle.

É verdade que a pineal se calcifica com a meia-idade? E essa calcificação prejudica a mediunidade?
Não, a pineal não se calcifica. Ela forma cristais de apatita, e isso independe da idade. Estes cristais têm a ver com o perfil da função da glândula. Uma criança pode ter estes cristais na pineal em grande quantidade enquanto um adulto pode não tê-los. Percebemos, pelas pesquisas, que quando um adulto tem muito destes cristais na pineal, ele tem mais facilidade de "seqüestrar" um campo eletromagnético. Nesse caso, o indivíduo apresenta mais facilidade no fenômeno da incorporação. Ele incorpora um campo com informações do universo mental de outra pessoa. É possível visualizar estes cristais na tomografia. Observamos que quando o paciente tem muita facilidade de desdobramento (sair do corpo físico), ele não apresenta estes cristais.

As crianças teriam mais sensibilidade mediúnica?
A mediunidade na criança é diferente da que se manifesta em um adulto. É uma mediunidade anímica. Ela sai do corpo facilmente e entra em contato com o mundo espiritual.

A pineal pode ser estimulada com a entoação de mantras, como pregam os místicos?
A glândula está localizada em uma área cheia de líquido. Talvez o som desses mantras faça vibrar o líquido, provocando alguma reação na glândula. Os cristais também emitem vibrações. É provável que possam vibrar o líquor e as glândulas, alterando o metabolismo.



Fonte de publicação: espirito

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