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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Chico Xavier: santo espírita ou médium católico?


achei interessante e por isso deixo aqui para os leitores






Por Vinicius Valente

Espiritismo e catolicismo, crenças antagônicas entre si e unidas na mente e na imagem de um mortal. Chico Xavier, o mais famoso médium do Brasil, faleceu, ou desencarnou, em 2002 deixando uma legião de seguidores. Ainda hoje, seus admiradores visitam seu túmulo, na cidade de Uberaba (MG), em busca de curas, ato que transcende o campo e a filosofia espírita. Com formação católica e considerado beato por muitos, Xavier sofreu durante toda sua vida com a desconfiança e condenação da própria Igreja, que reconhece a santificação apenas após a comprovação da ocorrência de um milagre, o que não era o caso. Visto isso, gerou-se a dúvida: seria ele um santo espírita ou médium católico?

A resposta para essa pergunta certamente não se encontra no novo filme de Daniel Filho, Chico Xavier, que começa a ser exibido em circuito aberto na sexta-feira, 2 de abril. Pelo contrário. A própria estréia do longa, baseado na biografia As vidas de Chico Xavier (Planeta, 2003), de Marcel Souto Maior, está sendo uma nova forma de união das duas crenças em torno da imagem do mineiro. Na data marcada, celebram-se 100 anos do nascimento do médium espírita e, ao mesmo tempo, o julgamento, paixão, crucificação, morte e sepultamento de Jesus Cristo, pois se trata de uma sexta-feira santa.

Razões ou coincidências à parte, a trama aborda a história de Xavier desde sua infância, em Pedro Leopoldo (MG), período que, segundo relatos, teria manifestado a mediunidade pela primeira vez. Nesta época (entre 1918 e1922), o personagem é interpretado pelo ator Matheus Costa, padecente dos maus tratos sofridos pela madrinha (Giulia Gam), que assim como os familiares e amigos, o recriminava por dizer que ouvia vozes de espíritos, como o de sua falecida mãe (Letícia Sabatella). Os fatos da infância e da fase jovem de Xavier (de 1931 a 1959), agora interpretado por Ângelo Antônio, são apresentados em forma de flashback, em paralelo com sua histórica participação no programa “Pinga-fogo”, na extinta TV Tupi, no ano de 1971. Durante a entrevista e nos flashes mais recentes (1969-1975), quem revive o médium é o ator Nelson Xavier. O elenco conta ainda com Pedro Paulo Rangel, Luís Melo, Giovana Antonelli, Cássio Gabus Mendes, Paulo Goulart e Débora Falabella.

No longa, a participação no programa serve ainda para ligar o enredo a outro fato histórico na vida do espírita, ocorrido em Goiânia, em maio de 1976. O diretor de estúdio do programa (Tony Ramos) é também pai de Maurício, um jovem morto pelo amigo José Divino, após o disparo de uma arma. Descrente do espiritismo ele briga com a mulher (Christiane Torloni), que pede para o marido falar com o médium em uma tentativa desesperada de se comunicar com o filho. Ao final da entrevista, Xavier o procura e o entrega uma carta psicografada, que teria sido escrita por Maurício. Ele diz que sua morte fora um acidente e que seu amigo não teve a intenção de machucá-lo. Emocionados com conteúdo do texto, os pais levaram a carta para o tribunal e a utilizaram como relato para inocentar o assassino de Maurício. O juiz encarregado do caso, Orimar de Bastos, aceitou o depoimento do morto e absolveu o acusado.

Francisco de Paula Cândido ou Francisco Cândido Xavier faleceu em 2002, aos 92 anos, na cidade de Uberaba. Durante a vida, psicografou mais de 400 livros que venderam cerca de 30 milhões de exemplares. Como negava a autoria das obras, afirmando que os textos eram de autoria dos espíritos, doava o dinheiro das vendas para obras de caridade. Chegou a afirmar que só morreria quando o Brasil inteiro estivesse feliz. Curiosamente, o médium deixou a vida enquanto o país comemorava o pentacampeonato de futebol.

Chico Xavier é um dos mais aguardados filmes nacionais do ano. Espera-se uma grande bilheteria, o que não é novidade para o diretor Daniel Filho. Em 2009, ele se tornou o campeão de espectadores dos últimos 20 anos do cinema brasileiro com Se eu fosse você 2, assistido por 6,1 milhões de pessoas. O currículo do diretor conta ainda com Se eu fosse você (2006), que teve 3,6 milhões de espectadores; A partilha (2001), com 1,4 milhão; A dona da história (2004), público de 1,2 milhão; e O casal (1975), com 1,3 milhão de espectadores. Como produtor, trabalhou ainda em 2 filhos de Francisco (5,3 milhões), Cazuza (3,1 milhões), Cidade de Deus (3,4 milhões), entre outros.

Daniel Filho pode ficar relaxado, pois seguramente seu novo filme será um sucesso de público, mesclado nas salas de cinema por cinéfilos, santos e espíritos.



Fonte: http://www.saraivaconteudo.com.br/Artigo.aspx?id=257

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