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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Astrônomos veem vulcões frios na lua Titã, de Saturno

12/08/2009 - 09h29


RAFAEL GARCIA
enviado especial da Folha de S.Paulo ao Rio

Astrônomos que esperam encontrar um planeta como a Terra estão de olho num lugar outrora insuspeito: Titã, uma lua de Saturno. O satélite entrou ontem na fase de mudança das estações do ano, e um grupo de cientistas espera ver fenômenos que ajudem a reforçar uma nova ideia. Segundo eles, apesar do perfil químico peculiar, Titã é um lugar muito parecido com a Terra.

Pode parecer um contrassenso dizer isso de um lugar sem água líquida e com temperaturas abaixo de 170°C negativos. A sonda espacial Cassini, porém, tem mostrado que o metano --principal componente do gás natural-- é a substância que, em Titã, equivale à água.


Editoria de Arte/Folha Imagem

Por isso, diferentemente da Lua terrestre, Titã não é um deserto estático. A paisagem lá exibe lagos, rios e chuvas de metano, além de uma série de fenômenos com paralelo na Terra.

O último deles, apresentado na Assembleia Geral da IAU (União Astronômica Internacional), no Rio, é a atividade geológica de Titã. Novas imagens da Cassini indicam que aquela lua possui "vulcanismo frio". Sem energia suficiente para produzir lava quente, os vulcões derramam uma mistura pastosa de água com amônia.

Jeitinho brasileiro

Uma das cientistas que estão liderando as descobertas feitas pela Cassini, Rosaly Lopes, é brasileira. Trabalhando há 20 anos no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, ela espera agora dar mais peso a uma de suas hipóteses. A mudança de estações deve explicar por que os superlagos de metano foram achados só no norte de Titã.

"Agora é inverno lá, e as temperaturas são menores. Quando a situação se reverter, nós acreditamos que esse metano vai evaporar e vai acabar se condensando no sul, onde agora não vemos grandes lagos", disse Lopes à Folha.

Prolongando

A descoberta de que Titã é geologicamente ativo foi um dos principais fatores que levaram os cientistas a pedirem a extensão da missão Cassini, que tinha final previsto para 2010. "Estamos propondo que ela vá até 2017, e acho que a Nasa vai aceitar", diz Lopes.

Mesmo com o adiamento da aposentadoria da Cassini, diz Lopes, uma segunda missão a Titã já está sendo planejada.

"Isso é coisa para daqui a uns dez anos", diz. "Nós queremos colocar uma sonda orbitadora exclusivamente ao redor de Titã, para mapear a lua inteira. Queremos que ela solte um balão com instrumentos para analisar a atmosfera e solte vários módulos de aterrissagem. Seria interessante ter um pouso em um lago, um em zona de vulcanismo e um em dunas."

As descobertas recentes em Titã, além de tornarem seu retrato similar ao da Terra, estão atraindo cientistas que estudam a vida fora da Terra.

Titã não era o alvo principal dos pesquisadores no Sistema Solar, pois há duas luas de Júpiter --Encélado e Europa-- que podem abrigar oceanos. Um ambiente tão dinâmico quanto Titã, porém, poderia dar origem a formas de vida que não dependessem tanto da água.

"Há tantas reações químicas acontecendo na atmosfera de Titã que moléculas orgânicas complexas poderiam ser formadas por acaso", diz Régis Courtain, astrônomo do Observatório de Paris. "O metano poderia ter o papel que a água tem para a vida, e os nutrientes poderiam ser hidrogênio e acetileno. O acetileno é como fast-food para seres simples."

Segundo ele, a água líquida ainda é um diferencial para planetas candidatos à vida, mas não é mais um pré-requisito.

Mesmo a amônia e soluções salinas como as que devem existir em Titã, afirma, podem ter um papel relevante. "Com muita amônia e muito sal, a vida fica difícil, mas um pouco de amônia ajuda a manter a água liquida: é um anticongelante"

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