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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Como funcionam os abrigos contra precipitação radioativa

Introdução a Como funcionam os abrigos contra precipitação radioativa


Após a queda do Muro de Berlim, em 1989, e a dissolução da União Soviética, o medo de uma guerra nuclear entre os Estados Unidos e a Rússia praticamente desapareceu. A Guerra Fria fez com que os cidadãos norte-americanos ficassem cautelosos com a possibilidade de um ataque, e cada administração presidencial tinha sua prioridade para a questão. O presidente John F. Kennedy, por exemplo, obrigou o Congresso a dar mais de US$ 100 milhões para a construção de abrigos públicos contra precipitação radioativa e, quando recomendou que os norte-americanos construíssem seus próprios abrigos antibombas, milhões de famílias o fizeram. Mas o alívio das tensões entre as duas superpotências no começo do século aparentemente apagou a possibilidade de destruição nuclear.


Entretanto, se você prestar atenção nos noticiários, hoje, talvez pense que estamos à beira de outra corrida nuclear. Depois de surpreender o mundo com a realização de testes nucleares secretos em 2006, a Coréia do Norte desmanchou, com relutância, suas instalações nucleares, em 2007. O Irã retomou as atividades nucleares em 2005 e, embora relatos sugiram que o país não está prestes a criar uma bomba, ele pode concluir uma entre 2010 e 2015. Os Estados Unidos têm um total de 9.938 ogivas nucleares, enquanto a Rússia, 20 mil [fonte: Global Politician (em inglês)].


Com o medo cada vez maior de um desastre nuclear, a quantidade de abrigos antibombas também aumentou. No caso de um ataque, algumas pessoas sentem-se mais confortáveis com seu próprio refúgio, que as protegeria dos efeitos nocivos de uma explosão nuclear. Algumas pessoas pagam empresas especializadas em construção de abrigos antibombas, muitos com materiais de ponta para resistir a um ataque e ajudar na sobrevivência dos que estiverem dentro.


Mas, e se você não tiver condições de pagar pela construção de um abrigo antibombas? Ou, na pior das hipóteses, se não tiver tempo suficiente de construir um? Se houver um aviso ou ataque repentino e não tiver um abrigo por perto, existe alguma maneira de se proteger? Nesse artigo, mostraremos como um abrigo contra precipitação radioativa aumenta as chances de sobrevivência durante um ataque nuclear.

O triângulo de abrigo contra precipitação radioativa, a não ser confundido com o símbolo da radiação.
William F. Campbell/Time Life Pictures/Getty Images
O triângulo de abrigo contra precipitação radioativa: não confundir com o símbolo da radiação


Os riscos da precipitação radioativa

Essa foto, tirada em 1970, mostra o teste de uma bomba nuclear francesa, em Mururoa, na Polinésia Francesa.
AFP/Getty Images
Essa foto de 1970, mostra o teste de uma bomba nuclear em Mururoa, na Polinésia Francesa. Pesquisadores estabeleceram uma ligação entre os testes nucleares da França no Oceano Pacífico, no fim da década de 60, e a alta incidência de câncer de tireóide na Polinésia.
A primeira coisa que veremos será o que acontece durante uma explosão nuclear e as razões que levam uma pessoa a construir um abrigo antibombas, ou abrigo contra precipitação radioativa.

Quando uma bomba nuclear é detonada, a maior parte das fatalidades imediatas será resultado do vento e do calor intenso provocados pela explosão. O dano que uma bomba pode causar varia muito de acordo com seu tamanho, mas uma bomba de hidrogênio de 1 megaton, por exemplo, destruiria tudo em um raio de aproximadamente 3,2 km a partir do ponto zero, e uma pessoa a 8 km de distância teria queimaduras de terceiro grau.

Apenas uma estrutura construída para suportar 50 psi conseguiria resistir perto do ponto zero e a maior parte dela teria que ser subterrânea. O material desse abrigo teria que ser muito pesado e denso, como chumbo ou concreto.


No entanto, o perigo prolongado de uma explosão nuclear é o efeito da radiação nuclear. É com isso que as pessoas fora da área da explosão imediata teriam que se preocupar - as doenças decorrentes da radiação podem chegar a matar mais pessoas que a própria explosão, mas isso aconteceria durante um período muito mais longo.

Quando ocorre a fusão ou a fissão nuclear, são criados muitos tipos de radiação, como partículas alfa, partículas beta, raios gama e nêutrons. As partículas alfa e beta geralmente são inofensivas. Embora sejam partículas rápidas, são muito grandes para passar por uma grande quantidade de matéria - as partículas alfa (átomos de hélio) podem ser bloqueadas por alguns centímetros de ar ou por um pedaço de papel, e as partículas beta (elétrons) podem ser bloqueadas por plástico ou por metal leve. Elas somente representam um perigo sério quando são inaladas ou quando caem na comida que consumimos.


Os raios gama e os nêutrons são muito mais perigosos em relação a uma explosão nuclear. Os nêutrons são mais pesados do que os elétrons e, quando se separam dos átomos do combustível nuclear, como urânio ou plutônio, agem como "mísseis" extremamente pequenos e podem penetrar com facilidade na matéria. Os raios gama são fótons, muito semelhantes à luz, exceto por possuírem mais energia e poderem passar facilmente por vários centímetros de um elemento pesado, como o chumbo.


Quando uma bomba nuclear atinge o chão, abre-se uma cratera, e a terra que fica lá é triturada em trilhões de partículas. Essas partículas recebem a radiação da explosão e são levadas para o céu em uma enorme nuvem em formato de cogumelo. A nuvem não fica lá em cima, nem volta para o chão - o vento a empurra, como faz com qualquer outra nuvem, e as partículas se espalham pelo caminho. O material realmente fica visível, semelhante a areia ou floco, e ficar em contato com uma grande quantidade desse material é perigoso.

O uso de abrigos contra precipitação radioativa é a melhor maneira de proteger as pessoas contra a radiação. Veja a próxima página para saber como eles funcionam.

Exemplo da direção que uma perigosa precipitação radioativa poderia percorrer após um ataque.
Imagem cedida pela FEMA
Exemplo da direção que uma perigosa precipitação
radioativa poderia percorrer após um ataque


Princípios básicos de um abrigo contra precipitação radioativa

Uma placa de abrigo contra precipitação radioativa em Las Vegas, Nevada.
Mervyn Penrose Rands/Getty Images
Uma placa de abrigo contra precipitação radioativa em Las Vegas, Nevada

O objetivo de um abrigo contra precipitação radioativa é, naturalmente, proteger as pessoas dos efeitos nocivos da radiação. Assim, como há um número especial nas embalagens de protetor solar que descreve o grau de proteção que a substância oferece contra os raios do sol - FPS, ou fator de proteção solar - os abrigos contra precipitação radioativa têm seu próprio número. Ele é simplesmente chamado de FP (fator de proteção).

O número do FPS se refere à quantidade de tempo que se pode ficar exposto ao sol sem se queimar. Entretanto, o número do FP de um abrigo contra precipitação radioativa representa a relação entre a quantidade de radiação que uma pessoa desprotegida sentiria comparada à quantidade que alguém receberia em um abrigo. Por exemplo, um abrigo com FP 5 exporia seus ocupantes a cerca de 20% da quantidade de radiação que receberiam se estivessem fora - um número não muito seguro.

De acordo com o Standards for Fallout Shelters (Normas para Abrigos contra Precipitação Radioativa) da FEMA (Federal Emergency Management Agency - Agência Federal para o Gerenciamento de Emergências), um abrigo é "qualquer sala, estrutura ou espaço designado a proteger seus ocupantes com um FP mínimo de 40 contra radiação que resulte de uma explosão nuclear" [fonte: SurvivalRing (em inglês)]. Isso significa que as pessoas protegidas receberiam um quadragésimo (ou 2,5%) da quantidade de radiação que receberiam se estivessem fora após uma explosão nuclear, o que é muito mais seguro do que um FP 5.


Existem também dois tipos de abrigos. O primeiro é um abrigo privado, construído ou adquirido por uma pessoa ou por uma família. Esses tipos podem ser porões transformados embaixo da casa, abrigos subterrâneos construídos no quintal ou abrigos feitos longe da casa. O segundo tipo é um abrigo público, descrito pela FEMA como qualquer lugar "planejado para ser usado pelo público em geral ou acessível a ele. Não são incluídos os abrigos contra precipitação radioativa que fazem parte de uma residência e são construídos para uso particular" [fonte: SurvivalRing

(em inglês)].

Construção mista de escola subterrânea e abrigo contra precipitação radioativa.
J.R. Eyerman/Time Life Pictures/Getty Images
Construção mista de escola subterrânea e
abrigo contra precipitação radioativa

Um abrigo público pode ser qualquer tipo de construção pública, como hospitais, escolas e delegacias de polícia. Todos os abrigos públicos contra precipitação radioativa são marcados com uma placa específica, que é um círculo com três triângulos invertidos dentro (como mostra a primeira figura do artigo). Os abrigos públicos geralmente têm espaço suficiente para receber pelo menos 50 pessoas, mas eles podem ser grandes o bastante para proteger centenas delas. A FEMA exige área mínima de 0,9 m² por ocupante e altura livre mínima de 2 m.

A maioria dos manuais do governo norte-americano recomenda que a permanência dentro do abrigo seja de aproximadamente duas semanas. Embora o tempo necessário para o desaparecimento da radiação varie, de alguns dias a duas semanas, a maior parte das pessoas acredita que é "melhor prevenir do que remediar". Muitas possuem dispositivos de detecção de radiação e rádios de pilha para ficar informadas.

Então, do que as pessoas precisam em um abrigo contra precipitação radioativa? Embora estejamos acostumados a comer comida regularmente, armazená-la em grande quantidade em um abrigo não é a preocupação maior. O homem consegue sobreviver com facilidade por duas semanas sem muita comida, mas é importantíssimo ter bastante água se as pessoas forem ficar embaixo da terra por um tempo prolongado. A FEMA sugere uma quantidade mínima de 13 litros de água potável por pessoa para as duas semanas.

Para saber o que é necessário para construir seu próprio abrigo antibomba improvisado, leia a próxima página.
Ilustração de um abrigo familiar contra precipitação radioativa, pré-fabricado, de aço e concreto, da época da Guerra Fria, no início da década de 60.
Pictorial Parade/Getty Images
Ilustração de um abrigo familiar contra precipitação radioativa, pré-fabricado, de aço e concreto, da época da Guerra Fria


Como construir um abrigo contra precipitação radioativa

Se ocorrer um ataque nuclear e você não estiver perto de um abrigo público ou privado, é possível construir o seu próprio abrigo. Um tipo de abrigo que pode ser feito com facilidade por uma família, em pouco tempo, é uma trincheira coberta com estacas, que nada mais é que um buraco no chão coberto com estacas e montes de terra. No caso de um ataque nuclear, uma verificação geral de itens facilitaria ainda mais a construção desse tipo de abrigo.

  • Ferramentas - pás para cavar, picaretas para terra mais dura, facas e serras ou machados para cortar estacas. Outros itens úteis são latas, baldes, potes e panelas, que podem ser usados para carregar terra e, no fim, para armazenar água; fitas métricas para calcular a largura, o comprimento e a profundidade do abrigo; lanternas, cordas, martelos, alicates, luvas e kits de primeiros socorros.

  • Material impermeável - qualquer item, como cortinas de box, toalhas de mesa, roupas de cama e lonas.

  • Água - recomenda-se uma quantidade de 56 litros de água potável para durar ao máximo enquanto as pessoas estiverem no abrigo. É possível permanecer no abrigo por mais de duas semanas após um ataque nuclear, desde que haja quantidade suficiente de água que garanta a sobrevivência.
  • Ventilação caseira - como o corpo elimina vapor de água, o interior de um abrigo logo ficaria insuportavelmente quente sem ventilação adequada. Essa página (em inglês) ensina a construir uma KAP (Kearny Air Pump - Bomba de ar Kearny), uma forma simples, porém eficaz, de circulação de ar, além de permitir a entrada de apenas uma quantidade mínima e segura de radiação no abrigo.
Uma trincheira coberta com estacas.

Para começar, você deve preencher o contorno da trincheira com estacas de madeira. O abrigo deve estar a pelo menos 15 metros de distância de grandes construções, pois as explosões nucleares podem causar tormentas de fogo de longo alcance e destruir estruturas próximas ao ponto zero. Depois que tiver decidido as dimensões, comece a cavar a terra e cortar as estacas no comprimento certo. Essas estacas devem ser colocadas ao longo da trincheira e suas pontas devem se estender pelo menos 60 cm das bordas.

Cubra qualquer abertura entre as toras com pano ou qualquer coisa que impeça a entrada de sujeira no abrigo. Podem ser colocadas duas estacas de 1,80 m, uma sobre a outra e presas com corda, na frente da entrada para impedir que a sujeira entre. Deve-se colocar uma camada de terra de aproximadamente 45 cm de altura sobre as estacas. O material impermeável citado acima é colocado sobre essa primeira camada e, finalmente, mais 45 cm de terra em cima.


Fonte: Ciência HSW

Um comentário:

  1. sandronsm gostaria de saber se existe uma versão traduzida pois sou uma besta em ingles e as fotos não ajudam e fica o pedido se alguem quiser e puder será que poderia traduzir os textos pois como já disse sou uma negação em ingles e tenho certeza que nao sou o unico

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