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sábado, 13 de junho de 2009

Caça aos alienígenas - extraterrestres

Certamente não estamos sozinhos no universo

Der Spiegel
Christoph Seidler
Caça aos alienígenas

A humanidade vem buscando vida inteligente no universo há décadas. Um dos líderes desta pesquisa é Frank Drake. Em uma entrevista com o Spiegel Online, ele disse que a televisão pode ser o primeiro gosto que os alienígenas terão da vida na Terra. Isso "é assustador", diz ele.

Após pesquisar por décadas, nenhum sinal extraterrestre foi encontrado. Estaremos sozinhos no universo?
Drake: Certamente não estamos sozinhos. Ao mesmo tempo, acho que será muito difícil encontrar extraterrestres. Se eles forem ligeiramente mais avançados que nós, podem estar usando tecnologias que não os revelam. Não porque estejam tentando se esconder, mas pelo fato que as evidências que poderíamos encontrar de extraterrestres teriam que vir de alguma forma de dispersão de energia. Se forem espertos, estarão usando tecnologias que não desperdiçam energia.

O projeto Seti, porém, está buscando sinais de rádio de outros mundos. Isso significa que, se algo for encontrado, será de civilizações que não estão terrivelmente avançadas?
Drake: Uma civilização é detectável por ondas de rádio por um curto período, talvez 100 ou 200 anos. Isso significa que civilizações primitivas como a nossa são as mais fáceis de detectar. Gastamos muito. Quase toda a energia que enviamos com rádio-transmissores para nossos sistemas de televisão, por exemplo, não vai para a Terra. Nem chega à Terra, simplesmente sai para o espaço.

Isso significa que a primeira coisa que os extraterrestres verão de nós serão as séries de televisão.
Drake: Isso é muito assustador. Particularmente à noite, com tantos programas de crime, violência, sangue e tudo isso. Esse é um retrato realmente pouco acurado de nossa civilização.

E, no ano passado, enviamos até um comercial de salgados de milho.
Drake: Fizemos isso? Eu não sabia! Acho que é um desperdício estúpido de recursos. Não faz sentido, de forma alguma. Como os extraterrestres comprariam nossos salgadinhos?

E se o primeiro sinal extraterrestre que recebermos na Terra for de um comercial cósmico?
Drake: De fato, um dos meus piores pesadelos é que encontramos um sinal e é de uma propaganda de um culto religioso.

Por que isso seria um pesadelo?
Drake: Quero saber mais sobre uma civilização do que sua crença no sobrenatural. A religião é uma parte importante da cultura, mas talvez não ajude a melhorar a qualidade de vida em uma civilização. Talvez a religião deles seja muito boa, mas duvido.

Parece que o senhor não é religioso.
Drake: Não sou uma pessoa religiosa.

A humanidade dedica recursos suficientes à busca de vida extraterrestre?
Drake: Não há limites para os recursos que podemos usar. Temos uma tecnologia que basicamente não pode ser melhorada. Mas precisamos mais dela. Temos que pesquisar milhões de estrelas, milhões de frequências. E talvez tenhamos que fazê-lo várias vezes, porque podem não transmitir o tempo todo. Tudo é uma questão de dinheiro. Por exemplo, na Alemanha, você tem belos rádio-telescópios, mas eles nunca foram usados para o Seti. Os rádio-astrônomos têm medo de ser criticados pelo governo. Ninguém quer que seu patrocínio seja cortado por investir fundos públicos em um projeto que pode parecer duvidoso.

O entusiasmo público parece ter um papel importante. No projeto seti@home, indivíduos doam parte de sua capacidade de computação para a busca de vida extraterrestre.
Drake: De fato, temos 280 mil participantes ativos. Recentemente, os números caíram um pouco. Talvez tenha a ver com a recessão.

Quando se pode realisticamente esperar encontrar o primeiro sinal?
Drake: O projeto é muito similar a um jogo de sorte - detesto descrevê-lo assim. É como jogar na loteria. Você sabe que, em uma busca de dez minutos, suas chances de sucesso talvez sejam uma em dez milhões. Mas pode acontecer na análise seguinte. Muitas pessoas que trabalham para o seti@home são jogadoras. As apostas são gratuitas, você não tem que pagar nada. Mas se você vencer, ganhará muito.

Nos anos 70, o chamado "Sinal Wow" foi detectado. Por um curto tempo, a humanidade pensou ter ouvido extraterrestres pela primeira vez.
Drake: Eu nunca pensei isso. Tinha bastante certeza que era um artefato.

Então, o que era?
Drake: Simplesmente não sabemos. As pessoas passaram centenas e centenas de horas buscando no mesmo local na mesma frequência. E nunca mais foi encontrado. Se você ouvir um sinal apenas uma vez, não é uma descoberta conclusiva. Você tem que ouvi-lo várias vezes.

Mas quando a humanidade enviou uma mensagem para o espaço, enviou apenas uma vez, no que ficou conhecido como "código Arecibo".
Drake: Oficialmente, enviamos apenas uma vez, por três minutos. O sinal tinha informações codificadas, que acho que seriam rapidamente reconhecidas por especialistas em outros mundos. Mas no dia antes da cerimônia oficial, transmitimos a mensagem por horas para praticar. O único problema era que a antena do telescópio Arecibo não estava se movendo. Então muitas estrelas receberam 12 segundos de mensagem, ou seja 120 caracteres.

Mensagens para o espaço como a transmissão Arecibo ou as naves "Pioneer" e "Voyager" foram criticadas por serem centradas demais nos humanos. O senhor gostaria de reescrever as mensagens?
Drake: Eu ainda as centraria nos humanos. Talvez seja narcisista, mas acreditamos que este seria o interesse dos extraterrestres. Não querem saber como são nossos cães. Querem saber como são os humanos. Tivemos muitas discussões se deveríamos apresentar nossa melhor imagem - ou uma imagem realista. Decidimos por uma ideal.

Algumas pessoas argumentam que não é uma ideia muito boa alertar outras civilizações sobre nossa existência.
Drake: Existem pessoas paranóicas que acreditam que eles virão nos atacar. Mas esse é um argumento falho. Com nossas transmissões regulares, revelamos muitos detalhes de nós mesmo. Qualquer coisa que enviamos intencionalmente é apenas uma pequena adição a uma grande cacofonia de sinais que foram enviados.

Devemos ter medo de alguma forma de invasão cósmica?
Drake: Em média, qualquer civilização extraterrestre estará a 100 anos luz de distância daqui. Não haverá benefício em nos atacar. Custará muito caro lançar um ataque sério. Então não precisamos nos preocupar.

Mas como o senhor pode ter certeza que as civilizações alienígenas são de fato pacíficas?
Drake: De fato, quando uma civilização tem a tecnologia para se fazer conhecer, também tem energia nuclear e armas nucleares. E com tais armas você sempre está suscetível a um louco que aperta o botão vermelho. Mas tenho certeza que qualquer civilização que encontremos terá evitado o cenário do homem louco. Terão passado por este funil da história e serão criaturas não-agressivas.

Como poderiam ser as formas de vida alienígenas?
Drake: Acho que é muito provável que essas formas de vida sejam baseadas em carbono. Em geral, pensamos nos extraterrestres parecidos conosco, mas isso é porque não sabemos no que mais pensar.

Com televisão digital, satélites e redes óticas, a humanidade na Terra se torna menos detectável para os extraterrestres. Deveríamos enviar sinais intencionalmente para alertá-los que estamos aqui - e não nos matamos nesse ínterim?
Drake: Nos próximos anos, alguns dos principais sinais de nossa existência vão sumir. E não serão substituídos - ao menos não num futuro previsível - por algo igualmente bom para revelar nossa presença. Mas enviar sinais intencionalmente neste momento seria um desperdício de recursos. Ainda somos detectáveis por causa de nossas transmissões de rádio. E será assim pelos próximos 50 anos. Depois disso, poderemos pensar em construir rádio-transmissores de energia solar. O custo das operações serão zero quando essas coisas forem construídas.


Tradução: Deborah Weinberg

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