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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Um Safari Aéreo pela Air Afrique


Um Safari Aéreo pela Air Afrique


Em fins de 1973 eu minha ex-mulher fomos passear "nas Europas", e aproveitamos uma promoção da Lufthansa em voga na época qual seja, como íamos para Lisboa e Madri, e como essa companhia não tinha linha para lá, ela nos dava, na cidade de baldeação, 24 horas grátis de hotel, translado,alimentação,etc., sendo a ida em Casablanca e a volta em Dakar. Conhecer essas duas cidade de graça, nada mal... Na ida, no problems, beleza total !!! Conhecemos e e gostamos muito de Casablanca, inclusive seu Kasbah, acompanhados por um guia, pois ninguém era louco de entrar ali sozinho!



As companhias aéreas envolvidas foram a Lufthansa + KLM + Ibéria, na viagem de ida.. Na volta, Ibéria ( para Las Palmas), daí Air Afrique (Dakar) e Lufthansa por fim, ao home sweet home.

Esse trechinho Las Palmas - Dakar foi tétrico. O avião saiu com duas horas de atraso, por volta das 20 hs. Fomos, eu, minha mulher, uns 4 mafiosos europeus ( pelo aspecto ), dois "japas" (não podia faltar...) e um monte de escurinhos...O ônibus comeu o pátio passando por belos aviões. Lá no final, bem escondido, um quadrimotor ainda movido a ventilador. A entrada era por trás.Vim sabaer recentemente que se tratavadeum ANTONOV soviético, que havia pertenciado a uma companhia aérea alemã, possivelmente do Leste. O urubu-metálico fedia como que a xixi. O assento da frente estava amarrado com arame, para não cair. Tudo escrito em alemão, nas luzes, chamadas, etc..


Quando a aeromoça nos deu as boas vindas, foi realmente uma surpresa.

Falava em francês com aquela voz da Isis Letiere, do antigo Galeão. Quando a vi era realmente uma crioula muito linda. Coitada, e naquele troço-voador... O dito começou a comer pista e a trepidar. Me despedi de minha mulher e ela de mim...Não sei por que cargas d'água, conseguiu levantar vôo. Meia hora depois aparece um braço e uma mão negra na nossa frente oferecendo um suco de laranja ou algo parecido, logo em seguida um sanduíche com uma pasta de carne, que tenho dúvidas se não era humana de um guerreiro de uma tribo vizinha, morto num ritual e ali estava para degustarmos...Esse foi o jantar oferecido para um vôo internacional !!!!!!!!!! Ali podia acontecer de tudo...Após quatro horas de vôo, chegamos em Dakar.

Na aduana, uns vinte funcionários para nos dar o visto de entrada. Um pegava o passaporte, o outro conferia, o outro punha um carimbo, o outro assinava, o outro conferia a assinatura do colega. Lá pelas tantas um desses solícitos funcionários nos perguntou para que hotel iríamos. Bem, eu não sabia nem em qual cidade estava, como saber para onde iría.!!! Primeira confusão!. Por sorte lá estava um educadíssimo "ombusdman" nativo, bem africano, que foi saber na Lufthansa qual o nosso hotel, e assim liberados, saímos do aeroporto por volta das duas horas da madrugada.

Um bando de molequinhos, parecendo ter saído de um grupo de afoxé de Salvador, se apressou, cada qual pegando uma de nossas malas e correndo cada qual para um lado... Eu, feito doido, correndo atrás dos pivetes, me lembrando aqui da Rocinha. Já sentí-me em casa...

Uma van nos levou ao Hotel N'Gô. Coisa estupenda de gostosa!!!. Cabanas africanas, redondas, como as de Tarzan, com todo o conforto, ar-condicionado (lá aprendi o que era o calor senegalês...), super limpo, tudo isso, a beira mar e no meio de um parque. Eu era ali o próprio "rei-das-selvas".

No dia seguinte, o break-fast extraordinário, mas o "quente" mesmo foi o almoço, servido numa cabana grande, neste parque. Só havia africanos, e comida dita africana, só que a dita era uma mistura de comida francesa com sabor africano, ou seja, COM SABOR, coisa que já desconhecíamos depois de passar 45 dias na Europa, comendo comida européia, inclusive a maravilhosa dos meus antepassados britânicos.

Pedimos um "voil-au-vent-de-fruits-de-mer" simplesmente divino, acompanhado de um arroz branco OMO. Tudo isso servido em terrinas de madeira, bem ao gosto local, e o melhor de tudo, pago pela Lufthansa.

Fizemos um sightseeing com um motorista local devidamente trajado com uma bela "mortalha" regional. Nos levou para ver algo diferente para os europeus, ou seja, a "Vilage des Africanes", o que para nós era uma vila pobre, mas muito bem cuidada, em qualquer pequeno lugarejo da Bahia. O rapaz ficou desapontado por ser aquilo familiar para a gente... Lamento!!! Depois o "Marchè de Fulo" (Mercado de Flores). Lembramos logo da "Nega Fulô" do nosso folklore. Cidade limpa, as mulheres se vestem maravilhosamente bem com trajes regionais com lindos estampados coloridos bem africanos.

Valeu a viagem. Tirando o suspense da viagem aérea Las Palmas-Dakar, que conseguimos sobreviver.

Na madrugada do dia seguinte, nossa temporada no paraíso acabou, e pegamos de novo a Lufthansa para o Rio...


Leonardo Hanriot Bloomfield

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