Google+ Followers

Pesquisar neste blog

sexta-feira, 8 de maio de 2009

DIVAGAÇÕES SOBRE TRANSPORTES NO BRASIL



DIVAGAÇÕES SOBRE TRANSPORTES NO BRASIL
PASSADIO EM GERAL


O serviço de hotelaria, incluindo aí também o de restaurantes e etc., não é só abrir o estabelecimento e começar a operar. Tem de haver algo muito mais complexo por trás de tudo isso, e não é novidade pra ninguém essa afirmativa.

Vejamos a complexidade do serviço hoteleiro de nossos meios de transporte, começando pelos antigos navios, quando o Brasil os tinha:

Nos anos 30 (não me aventuro a ir antes disto, pois desconheço...) os nossos navios do Lloyd Brasileiro tinham um passadio relativamente muito bom, segundo informações que obtive de fontes seguras, embora nunca viajando neles naquele período. O Lloyd era uma empresa governamental, mas mesmo assim, funcionava.
Nunca chegou a ter navios de passageiros para si construídos com aquela finalidade, pois sua frota era composta por velhos navios já comprados de segunda mão, ou então os que foram confiscados na primeira guerra mundial, quase todos alemães e bem velhos.
De modo diferente tínhamos a conhecida Costeira, de propriedade particular, do chamado Grupo Lages e também, também pertencente a esse Grupo, o Lloyd Nacional.
Tanto a Costeira (que possuía alguns navios menores e bem mais antigos) tinham uma frota construída no final dos anos 20, com navios mais adaptados ao serviço de cabotagem. A Costeira com os famosos “ITAs” (seis unidades ao todo) e o Lloyd Nacional com os não menos famosos “ARAs” (quatro unidades ao todo).
Segundo fui informado também, pois era bem criança ainda, o passadio a bordo era chamado de a “herança Lages”, pois era o que havia de melhor no transporte marítimo da época.
Lamento não ter conhecido aqueles tempos...Comia-se do bom e do melhor!
Veio a segunda guerra, perdemos alguns navios e vidas humanas, e no pós guerra, com a encampação da Costeira e Lloyd Nacional, essas duas companhia passaram a conviver com o Lloyd Brasileiro, todas governamentais. Bem, no que se refere ao tratamento a bordo, a decadência foi total em todas as três. Eu mesmo viajei em 1955 num navio do ex-Lloyd Nacional, e posso afirmar que não passei fome, mas não podia considerar aquilo um passadio de um navio de 1ª classe. O mesmo ocorria nos demais, do Lloyd e Costeira, segundo cópias de menus que obtive. Os comissários de bordo se desdobravam para fazer milagres. Como mesmo diziam “com charque não dá para fazer banquetes...”. Tudo fruto de uma típica repartição pública, com a direção nas mãos de apadrinhados políticos, que pouco estavam aí para o problema.
Em 1963, com a aquisição de quatro belos navios de passageiros, a Costeira, governamental, tentou fazer um serviço de classe, para concorrer com navios estrangeiros e, de certa forma, conseguiu. Fiz várias viagens neles e o serviço não era ruim. Podia ser bem melhor, mas talvez faltasse know-how. A turma, infelizmente, não estava acostumada. Não havia um Lages com um back-ground familiar acostumado a passar do bom e do melhor, para transmitir aos seus subordinados o que ele queria que fosse feito. Conhecimento era o que faltava a turma... pois só de boa vontade não se consegue nada...
Bem, resumindo essa tragédia grega, esses quatro navios foram vendidos, hoje o que temos é uma frota de mega-transatlânticos estrangeiros, que vivem lotados (porque não o Lloyd Brasileiro, a Costeira???) fazendo “uma limpa” nos nossos dólares e euros....A farra deles é total, mas não vem ao caso...

No que se refere ao transporte aéreo eu só comecei a ser usuário nos anos 60. Viajava por uma tal de VARIG que existiu realmente, posso garantir sem sustos... Era de propriedade de um grupo liderado pelo Sr. Rubens Berta, pessoa de berço, tal qual como os Lages, então o seu serviço era inimaginável do bom e melhor. É impossível tentar descrever nos dias de hoje como se passava bem em qualquer um de seus aviões, fosse para New York, Paris, ou Alegrete. Não gosto nem de falar nesse assunto de “almoço ou jantar” VARIG, que entro em “depré”....Outras companhias, como a TRANSBRASIL, também tinham um ótimo serviço. Já na estatal VASP ou mesmo na CRUZEIRO DO SUL, não me lembro de nada que tenha deixado saudades. Lógico, que extremamente superior mil vezes às barrinhas de cereal da GOL de nossos dias ... Hoje, a impressão que me dá, é que nossas companhias aéreas, e muitos do exterior, não passam de repartições públicas dos velhos tempos, tal qual o foi Lloyd Brasileiro no final de sua existência...

No que se refere ao transporte ferroviário, que algum gênio visionário, achou por bem terminar aqui no País, naqueles bons tempos, coisas maravilhosas que tínhamos e outras nem tanto.
Se a Paulista era uma coisa inexplicável de perfeição, em todos os aspectos, havia algumas bem abandonadas.
A Central, onde comecei minha vida de ferroviário, tinha uma linha um tanto sofrível, carros de madeira obsoletos, e seu único trem com mais categoria era o “Cruzeiro do Sul”, do início da década de 30.
No início dos anos 50 entraram em tráfego os modernos carros de aço inoxidável de construção BUDD. Lógico que, para a linha então existente, não corriam muito bem, mas eram bem confortáveis. Como sempre, por sorte, o serviço de restaurante era entregue a um concessionário, que, por sorte também, dava conta do recado, embora não fosse nunca uma VARIG. Porque não?! Se podia ser feito na VARIG, porque não no carro restaurante da Central ? Mas atrás de tudo, nos gabinetes, não havia um Sr. Rubens Berta, mas um monte de funcionários públicos, que também não tinham culpa, pois não tinham “berço”. Estavam bitolados com aquele tipo de vida. Não tinham tido oportunidade de conhecer coisa melhor, então não tinham nada a oferecer. O salário deles nunca permitiu que viajassem para conhecer um mundo melhor. É o famoso know-how para operar um hotel, um restaurante, qualquer coisa desse tipo...
O mais interessante é que quando se quer fazer e é permitido fazer, se faz.
Cito dois exemplos, um nacional e outro internacional. O primeiro foi na VFRGS quando operava seus trens húngaros entre Porto Alegre e Uruguaiana, no qual viajei algumas vezes. A passagem dava direito a um jantar e um café da manhã, algo inusitado aqui no Brasil. O jantar vinha em bandejas, aquecidas no trem, e era de excelente qualidade e paladar. O mesmo, na manhã seguinte, com o café, pode-se dizer, completo.
No exemplo internacional, cito um caso argentino: Embora nos dias de hoje o serviço de restaurante nos poucos trens de passageiros argentinos seja sofrível, tive oportunidade de conhecer nos anos 70, nos Ferrocarriles Argentinos, um serviço como jamais poderia imaginar de tão perfeito, saboroso e bem apresentado. Bem, segue a pergunta: Se a VFRGS conseguia oferecer aquele serviço e nossos amigos argentinos tinham um serviço daquela magnitude, porque não nos dias de hoje??? Será a tal da crise?
Nos anos 50/60, mesmo a estatal Sorocabana, tinha um serviço muito bom, inferior a Paulista, mas bem eficiente. Tudo isso terminou com a famigerada FEPASA. Foi o golpe de misericórdia no eficiente transporte ferroviário paulista.

Na Mogiana, minha experiência no almoço não foi das melhores. Viajei no trem “Bandeirante”, bela composição com carros de aço inoxidável construídos pela MAFERSA (só o dormitório era da BUDD) e como fiz, de maneira experta, minha reserva de passagem lá do Gabinete do Ministro dos Transportes, onde trabalhava, ao chegar em Campinas, tinha como cortesia não só uma cabine, como poltrona no carro poltrona-leito. Mas na hora do almoço, pouco depois da saída de Campinas, descobrimos (eu e minha mulher) que o arroz servido estava repleto de “carunchos”...E o trem era o famoso que ia para a Capital Federal....
Se o assunto é passadio a bordo, até mesmo a Vitória a Minas peca em seu serviço de restaurante, que acho bem sofrível. Ainda tem o desplante de não permitir que o passageiro fique mais de 20 minutos sentado num carro restaurante apreciando a paisagem, que, entretanto, pode ser deixado de lado, se o passageiro pedir um cafezinho que custa 20 centavos e lhe dá o direito a mais 20 minutos.....Entenda-se !!!

Bem, neste assunto hoteleiro, serviço de restaurante, etc.,tem de ter muita tecnologia de apoio, sem o que, o fracasso será total. Tem de haver conhecimento profundo no assunto e não uma simples aventura, que não levará a nada.


LEONARDO HANRIOT BLOOMFIELD

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Vídeos

Loading...