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quinta-feira, 7 de maio de 2009

“CAUSOS” FERROVIÁRIOS



“CAUSOS” FERROVIÁRIOS


Quando a tradicional Estrada de Ferro Central do Brasil, já nos tempos da RFFSA, colocou em tráfego um novo trem com composições de aço carbono entre Belo Horizonte e Montes Claros, em substituição ao antigo trem com carros de madeira, este novo trem tinha, inclusive um carro dormitório e restaurante, o que melhorava bastante seu aspecto e o serviço prestado.

Infelizmente, a Central, em Belo Horizonte, não tinha gente qualificada e adestrada para compor a equipagem do trem, e, para o carro-dormitório, como cabineiro, um operário “da soca”, foi designado para aquele serviço, o qual foi devidamente “fantasiado” com o uniforme dos cabineiros e determinado a fazer o serviço. Logicamente que este operário não tinha as mínimas condições para aquele trabalho, embora simples, mas requeria um pouco de sutilezas.

Uma das determinações que este cabineiro recebeu da famosa “chefia”, era economizar luz durante a noite, deixando acesas o mínimo necessário, no corredores, vestíbulos, etc. uma vez que o carro dormitório era o último e não servia de passagem aos demais passageiros.

Bem, logo no início da circulação deste trem, numa das chamadas viagens inaugurais, era passageiro de uma cabine o Dr. Américo, um dos diretores da RFFSA, que ia até Montes Claros, ou a serviço, ou a passeio, ou para conhecer o trem....

Como Dr. Américo não tinha como hábito dormir nas viagens de trens, colocou seu leito em posição de poltrona, e calmamente começou a ler um belo livro recém adquirido em BH...

Lá pelas tantas da madrugada, quando houve uma parada numa das estações, o referido cabineiro, fantasiado de cabineiro, tendo descido até a plataforma, ao ver uma luz acesa numa das cabines, se acercou dela, pelo lado de fora e, furiosamente, começou a bater no vidro ordenando que a luz fosse apagada, por medida de economia.

O desfecho não me contaram, mas Dr. Américo, uma pessoa extremamente calma e super educada, acredito que, na sua posição de diretor, não deve ter aceito de maneira suave aquela ordem, mas que, posteriormente, ele sempre comentava o assunto, aí assim, já com um belo sorriso, foi pensando bem, o fato de que a ordem devidamente cumprida, como mandava o regulamento superior da ferrovia, foi uma boa gozação, pra ele e seus colegas ferroviários.

LEONARDO HANRIOT BLOOMFIELD

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