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sexta-feira, 8 de maio de 2009

CARITO E SEUS DESAPARECIMENTOS



CARITO E SEUS DESAPARECIMENTOS
traduzido por Leonardo Hanriot Bloomfield


Cheniao ( CHILE ), está localizado na localidade de Voique, Mechuque, uma ilha de montes baixos e altos barrancos sobre o mar, na sua parte Norte. As famílias que aqui vivem são poucas: os Aguilar, os Ruiz, os Serón e os Nahuelancas, todos vivendo do cultivo de batatas e trigo, pesca de mariscos e de alguns animais que sobrevivem ao vento e a chuva. Em meio a este isolamento, respeitam e praticam suas crenças, enterram seus mortos, rezam, cantam e quando é necessário calar, calam-se, sobretudo quando alguém tenha desaparecido ou haja ocorrido algo estranho.

O caso de nossa estória se refere ao jovem de sobrenome Aguilar, conhecido como Carito.

Em fevereiro de 1974, Carito andava com seu pai pela praia catando lenha, e já numa hora bastante tarde. O jovem, com a idade de 16 anos, sem problemas com ninguém ou mesmo em sua casa, era tranqüilo e normal como os demais jovens de sua idade. Já estavam de volta para a casa quando ao chegarem numa tranqueira seu pai pediu que a fechasse bem e seguiu adiante. Carito simplesmente obedeceu a ali ficou para fechá-la.

Seu pai chegou em casa e logo se fez noite, porém, como Carito não aparecia, a família se inquietou. Seu pai saiu para procurá-lo, mas não o encontrou No dia seguinte continuaram com as buscas pelos caminhos, pelos pastos, casas e nas cercanias da praia, sempre perguntando se faltava algum bote, pois poderia ter ido a uma outra praia ou mesmo outra ilha próxima. Verificou que todas as embarcações ali estavam e ninguém havia saído daquele lugar. Deram conta que o jovem havia desaparecido de verdade pois não foi achado em parte alguma.

O caso foi bem triste para toda a família. Seus pais e irmãos suplicavam a todos e não só a família saiu para procurá-lo como os vizinhos. Formaram-se grupos com toda a sorte de luzes e lanternas até ao amanhecer, mas sem resultado algum.

No terceiro dia de busca inútil seu pai foi até Machuque com alguns vizinhos para pedir ajuda a polícia.

Procuraram por mais cinco dias, por toda a ilha, sem resultado positivo algum. Após quinze dias, um irmão e um vizinho fizeram nova tentativa e subiram num morro, que, segundo eles, não havia sido bem vistoriado. Iam juntos e caminhando devagar pressentindo encontrar surpresas pois já o acreditavam morto. Algum tempo antes, outra pessoa desapareceu e foi encontrado somente o cadáver. Estavam caminhando quando numa clareira viram Carito, com uma das mãos segura num galho de árvore caído e a outra segurando sua jaqueta sobre os ombros. Olhava para um lugar muito distante, estava quieto, ajoelhado como que suplicando em silêncio que alguém o libertasse de uma situação terrível e maldita.

Os dois se aproximaram e falaram com ele, fazendo perguntas, e lhe dizendo para que voltasse para casa, pois sua mãe o esperava. Estava mudo. Quando lhe perguntavam onde havia estado, não respondia. Tornaram a lhe pedir que voltasse para sua casa, pois sua mãe morreria caso não chegasse lá. Então, levantou-se e começou a correr e ao chegar numa cerca muito alta que separava esse morro do pasto, viram Carito dar um salto incrível, pulando por cima dos moirões sem tocá-los, e desde aí, correu para sua casa.

A notícia correu de porta em porta. Quando o interrogavam onde havia estado, calava-se e se aborrecia, pedindo para que não lhe perguntassem pelo ocorrido.

Havia um fato estranho que chamou a atenção de todos, é que a roupa e os sapatos de Carito, apesar do tempo que passou fora, estavam tal qual como no dia de seu desaparecimento. Tudo estava limpo, inclusive ele mesmo.

Passaram-se um, dois ou três dias, Carito passava todo o tempo olhando pela vidraça com claras demonstrações de querer escapar. Certa manhã saiu para o quintal, acompanhado de sua irmã que estava encarregada de vigiá-lo. De repente, sem que ela desse conta, o jovem desapareceu de sua vista. A menina correu para dar o alarme, reunindo-se todos os familiares e vizinhos, e entre soluços recomeçaram a busca, e com a experiência anterior, esta foi mais intensa, mas não o encontraram em parte alguma.

Passara-se vinte dias e seu pai foi até Achao para comunicar às autoridades o ocorrido.

Ordenaram sua busca e investigação sem resultado algum. As autoridades marítimas por sua parte, fizeram o mesmo e nada. Passaram-se mais dois dias e ninguém tinha esperança de encontrá-lo, pois julgavam Carito desta vez já morto. Os cães da casa de Carito ladraram muito toda a noite. Na manhã seguinte uma sua irmã notou que uma galinha cacarejava sobre o galpão onde se guardava o capim do gado. Chamou então sua outra irmã para avisá-la de que a galinha devia estar pondo ovos no galpão.

As duas foram apanhar uma escada e uma delas subiu para ver o que ocorria, mas lá chegando, deteve-se, pois escutou ruídos estranhos, parecidos com roncos. Desceu e foi chamar seu pai, que ao subir, encontrou seu filho dormindo no capim do gado. Sem opor resistência, Carito concordou em ir para casa, descendo então pela escada. Na cozinha lhe prepararam algo para comer. Seu aspecto era normal, suas vestimentas intactas, mas ele se recusava a responder qualquer pergunta sobre o caso, e para não incomodá-lo, não o interrogaram mais.

Carito parecia estar totalmente recuperado, pois trabalhava nos afazeres domésticos da casa e também na lavoura. Seus pais o levaram a um médico em Achao e também num especialista em Valdivia, e em todo esses lugares o acharam são e normal. Logicamente que ninguém se atreveu a fazer-lhe perguntas para não contraliá-lo.Um dia Carito estava com um grupo de garotos da vizinhança da ilha. Na conversa foi comentado o fato de um colega de escola e companheiro havia sofrido um acidente em Punta Arenas. Os garotos comentavam que Nahuaelanca, esse era o sobrenome do jovem acidentado foi vítima de um disparo acidental do seu rifle, atingindo seu coração. Carito que até esse momento havia guardado silêncio e permanecido com a cabeça abaixada, se endireitou e disse:

-“Não é verdade que Nahuelanca morreu por acidente”.

Todos o olharam e um perguntou:

-“Que é que você sabe se não estava lá quando ele morreu?”

Carito lhe respondeu:

-“Eu sei de tudo, tal como ocorreu. Nahuelanca não morreu como vocês pensam.... Nahuelanca foi assassinado”

Nesses diass localidade de Cheniao e Voiogue estavam de luto e celebrando os funerais de Nahuelanca.

Curioso é que depois de dois anos soube-se, realmente, que Nuhaelanca tinha sido assassinado.

Como que Carito soube a verdade?

Que dom possuía para saber de coisas tão distantes a milhares de quilômetros do lugar onde estava.

São perguntas que fazem os vizinhos e ainda não tem respostas.

Um dia, enquanto seus pais cortavam lenha perto de casa, este sumiu uma vez mais, sem que ninguém desse conta. Desta vez, o desaparecimento foi por 38 dias.

Uma tarde, uma vizinha o encontrou. Carito estava perto da praia comendo amoras, e ao se dar conta que alguém o descobriu, correu para o mato, perdendo-se de novo. Agora, transcorreram muitos dias. Dizem que foram dezoito dias. Certo dia, um tio seu caminhava pelo pasto, o viu e se aproximou por trás, pegando-o pela roupa, pedindo-lhe que fosse para casa, tendo Carito se negado. Perguntou-lhe então se queria ir para casa de um amigo de nome Enrique, pelo que ele aceitou, mas sua intenção era tirá-lo dali para que seus pais o fossem buscar.

Enquanto caminhavam, seu tio viu um vizinho que por ali passava e o gritou, dizendo que levava Javier (Carito). Este se deu conta e dando violento safanão, conseguiu escapar da mãos do tio, perdendo-se nas matas em direção ao mar.

Passaram mais de cinqüenta dias, e num deles, seu pai que sempre tinha esperança de encontrá-lo, se dirigiu a uma casa desabitada durante muito tempo, muito embora tivesse já sido revistada e não encontraram vestígios do jovem. Seu pai subiu no forro e lá o encontrou. Estava dormindo, e se despertou. Ao sentir-se surpreendido, tentou pular pela janela para escapar, mas seu pai o segurou e não o deixou fugir, e com palavras amáveis conseguiu levá-lo para casa. Os vizinhos curiosos e preocupados o visitavam sempre. O que mais chamava a atenção de todos é que cada vez que regressava, suas vestimentas estavam impecavelmente limpas, nunca apresentado desgaste.

Atualmente, dizem que saiu de sua casa, segundo ele, para ganhar a vida, e seus pais lhe deram permissão. Uns dizem que ele foi visto em Dalcahue, Puerto Mont e outras cidades.

Os parentes de Carito dizem que ele está trabalhando na Argentina, muito embora quando estivemos em Cheniao no ano de 1976, comentava-se que embarcou num barco que passou pela ilha.

Suas conjecturas são que Carito aparecerá de novo para tornar-se a ir, sempre jovem, mostrando seu rosto limpo e sem rugas. Uma mirada distante, ausente de seu lugar e de seus vizinhos, aos quais na verdade já não pertence, sim ao presente eterno.

F I M

Extraído do livro “TRIÁNGULO DEL PACIFICO SUR”,
de Antonio Cárdenas Tabies - CHILE

E traduzido por Leonardo Hanriot Bloomfield
Petrópolis, Rio de Janeiro, BRASIL

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